Somos conscientes de que a nossa empresa existe graças a centenas de pessoas que trabalharam e desenvolveram o campo da genética durante anos. Pessoas de todas as nacionalidades e condições que encontraram no ADN um desafio a desvendar.
Em respeito a estas pessoas, e nesta publicação às mulheres em particular, decidimos fazer uma pequena compilação.
Margarita Salas
Na tellmeGen, neste Dia Internacional de Mulheres e Raparigas na Ciência, queremos prestar a nossa pequena homenagem a Margarita Salas, cientista espanhola e discípula de Severo Ochoa, Prémio Nobel de Fisiologia ou Medicina em 1959.
Faleceu a 7 de novembro de 2019.
Bioquímica de formação, é conhecida pela descoberta e caracterização da ADN polimerase do bacteriófago phi29 (Φ29), o que representou um grande avanço no campo da biologia molecular.
Também participou na determinação de que a leitura do material genético se realizava na direção 5′ a 3′. Esse é o sentido da síntese que seguem as polimerases no ADN para produzir ARN mensageiro.
Além disso, descreveu como começava a síntese proteica.
Os seus estudos foram determinantes para que Kary Banks Mullis, Nobel da Química em 1993, juntamente com Michael Smith, concebessem a mais que conhecida PCR (Reação em Cadeia da Polimerase), técnica que, entre outras utilidades, permitiu o diagnóstico e controlo do SARS-CoV-2 (COVID-19).
Dentro de Espanha, é considerada uma das principais impulsionadoras dos estudos em bioquímica e a principal desenvolvedora da biologia molecular no país.
A patente desenvolvida a partir da sua descoberta do fago Φ29 foi a mais rentável economicamente em toda a história do Conselho Superior de Investigações Científicas.
Como curiosidade, foi a primeira mulher cientista a pertencer à Real Academia Espanhola, instituição que regula a língua castelhana e as suas normas linguísticas.
Mary Lyon
Outra homenagem que fazemos na tellmeGen é a Mary Lyon, geneticista britânica que teorizou o processo de lionização, a inativação de um cromossoma X feminino. Faleceu a 25 de dezembro de 2014, com 89 anos.
Interessada em embriologia, começou o seu doutoramento no departamento de genética com Ronald Fisher, um dos fundadores do Neodarwinismo.
Finalizou-o no grupo de Conrad Hal Waddington, outro peso-pesado em diferentes ramos da biologia, incluindo genética e embriologia. Depois da sua tese, permaneceu neste grupo.
Centrada nas mutações em ratos, analisou uma mutação com um efeito interessante: os machos faleciam ou sobreviviam com a pelagem branca, enquanto as fêmeas sobreviviam sempre, mas com uma pelagem de várias cores.
Através de cruzamentos específicos e calculados, concluiu que a mutação se encontrava no cromossoma X. Foi uma das bases para a sua hipótese do silenciamento do cromossoma X, processo que foi chamado lionização em sua honra.
A visualização dos corpúsculos de Barr na década de 40 por investigadores canadianos foi um forte apoio para a teoria.
Na década de 70 já era aceite pela imensa maioria da comunidade.
Embora essa tenha sido a sua descoberta mais importante, ao longo da sua carreira participou em muitos outros trabalhos relacionados com as mutações genéticas e os cromossomas sexuais.
Muitos dos seus estudos abordam a mutagénese, tanto química como por radiação. Recebeu vários prémios no campo da genética pelas suas descobertas.
É adequado que seja precisamente uma mulher a descobrir os segredos do cromossoma X.
A mulher na ciência foi com frequência ofuscada pelos seus colegas e pela mentalidade do passado. Com isto, procuramos contribuir para colocá-las no lugar que merecem.
