As enxaquecas são uma daquelas doenças que requerem pouca apresentação. Trata-se de uma doença cuja principal característica é uma forte dor de cabeça, pulsátil, acompanhada frequentemente de sensibilidade à luz e/ou aos sons, com náuseas. Costuma ocorrer apenas num dos dois lados da cabeça, unilateral.
Os casos graves chegam a um ponto incapacitante para a pessoa. Consistem em episódios agudos que duram entre 4 e 72 horas se não forem tratados. A sensibilidade à luz, somada ao facto de que o esforço físico piora a dor, faz com que as pessoas afetadas se retirem para quartos escuros e esperem em repouso que os sintomas remitam.
Antes da fase da dor, pode ocorrer uma fase prévia indolor, mas com sintomas atípicos, como formigueiro na língua ou alterações visuais. Não duram mais de uma hora e desaparecem sem deixar sequelas.
Por ser uma doença habitual e com uma sintomatologia evidente, já foi registada e descrita há mais de 2.000 anos.
E, no entanto, os seus mecanismos ainda não foram estabelecidos. Considera-se que entra na categoria de doenças complexas, onde participam vários genes herdados e é influenciada por fatores ambientais.
Os três principais suspeitos são:
- Teoria vascular, devida às artérias cranianas, que sofrem uma vasoconstrição inicial, seguida de uma vasodilatação, causadora da dor pulsátil.
- Teoria neurogénica, onde o responsável é uma hiperexcitabilidade no córtex cerebral que acabaria por ativar o nervo trigémeo, responsável pela dor.
- E uma terceira teoria culpa o eixo intestino-cérebro, baseando-se em que mudanças nas dietas diminuíram, ou mesmo eliminaram, o aparecimento de enxaquecas em pacientes afetados.
O que aprendemos neste tempo?
A doença tem base genética, mas muitos pacientes relataram fatores ambientais como desencadeadores de enxaquecas. Os mais citados são as mudanças nas rotinas das pessoas, sobretudo se afetam os ciclos de sono ou criam situações de stress e ansiedade, e no caso das mulheres, o ciclo menstrual. Este último costuma coincidir com descidas nos níveis de estrogénios, que ocorrem de forma natural antes da menstruação.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), entre 15 e 18% da população global sofre de enxaquecas, sendo casos graves ou crónicos os sofridos por 4 em cada 100 pessoas de todo o mundo. Têm maior incidência nas mulheres.
Embora nos jovens seja menos grave e apresente algumas diferenças nas suas características, 6% dos adolescentes sofrem dela e 18% dos pacientes garantem ter sofrido o seu primeiro episódio antes dos 10 anos.
A enxaqueca é um martelo incessante no crânio, mas tem formas de se tornar pior. Entre elas temos as enxaquecas que superam as 72 horas de duração (podem requerer hospitalização), a enxaqueca crónica, que ocorre um mínimo de 15 dias por mês, ou crises epiléticas desencadeadas pelos episódios de enxaqueca.
Além de ser um problema de saúde pública altamente subestimado, a enxaqueca é, segundo a própria OMS e apesar da sua falta de reconhecimento, a sexta doença mais incapacitante. Uma atenção subótima a estes problemas provoca um elevado custo financeiro à sociedade devido ao absentismo laboral que provocam, já que os sintomas são mais severos durante os anos produtivos das pessoas.
O tratamento adequado destas perturbações baseia-se em três pontos:
- A capacitação de profissionais de saúde para estabelecer diagnósticos precisos. Há muitos tipos de enxaquecas e nem todas respondem de forma igual aos tratamentos.
- Um tratamento adequado com medicamentos eficazes. Anti-inflamatórios não esteroides (como o ibuprofeno), ergotamina e triptanos. Estes dois últimos são específicos no tratamento de enxaquecas, têm efeitos secundários e a ergotamina tem sido muito substituída no seu uso a favor dos triptanos. Existe uma série de fármacos que funcionam como preventivos, diminuindo o aparecimento de episódios de enxaqueca. Por exemplo, betabloqueadores ou anticonvulsivantes. No entanto, durante o episódio agudo, estes medicamentos não têm utilidade.
- Mudanças no estilo de vida e educação do paciente. O interesse é conseguir que os pacientes elaborem uma rotina e a mantenham.
Nos últimos anos, este problema está a ser abordado de uma forma mais exaustiva por parte dos profissionais médicos e científicos.
A tellmeGen e as dores de cabeça
Conscientes de que ainda há muito trabalho pela frente, na tellmeGen desenvolvemos um estudo observacional pioneiro em Espanha com os nossos utilizadores que sofrem de enxaquecas e outro tipo de cefaleias para tentar encontrar os marcadores genéticos que possam ajudar a selecionar os fármacos apropriados para cada pessoa e, assim, diminuir as falhas terapêuticas.
Esta é a base da farmacogenética, disciplina científica que, nos últimos anos, se está a tornar uma realidade.
“Graças ao estudo, estamos a observar que muitos pacientes não melhoram os seus sintomas porque estão a fazer um tratamento farmacológico que não é adequado do ponto de vista da sua genética. No entanto, quando se estudam os genes que participam no sucesso terapêutico, pode-se prescrever de uma forma personalizada, eficiente e segura. É o que estamos a observar de forma sistemática e esperamos que este estudo sirva de base para outros mais exaustivos”, salientam a Dra. Silvia Tamborero e Celia Martínez, responsáveis pelo estudo.
O objetivo deste estudo é tornarmo-nos na primeira empresa que oferece um painel farmacogenético através do qual possa ser prescrito o melhor tratamento para cada caso.
“A farmacogenética é a ferramenta que nos ajudará a ser mais precisos e eficientes, e na empresa estamos muito comprometidos com estas perturbações neurológicas tão incapacitantes”, assinala a Dra. Ana Romero, diretora do Departamento de Genética da tellmeGen.
Com o teste genético da tellmeGen podes conhecer muitas características que te tornam único/a, entre as quais se destacam como reages aos medicamentos associados às enxaquecas e as implicações que podem ter na tua saúde.
