A farmacogenética está a assumir uma importância especial recentemente, uma vez que é considerada um dos pilares da medicina personalizada. Faz sentido, se pensarmos no importante papel da genética na medicina.
Com certeza já ouviu falar disto, certo? É um campo que ainda tem muito caminho por percorrer, mas verificou-se que pode marcar um antes e um depois na medicina ocidental tradicional. Por isso, muitos especialistas estão a considerar, em conjunto, os conceitos de terapia médica personalizada e farmacogenética.
Vários estudos clínicos permitiram constatar que fazer um teste farmacogenético é extremamente importante para saber que fármaco e que dose se deve administrar a cada paciente. Deste modo, evitam-se e/ou diminuem-se possíveis reações adversas perante tal tratamento, além de projetar um desfecho clínico favorável, melhorando a qualidade de vida da pessoa. De facto, para alguns tratamentos, é inclusive obrigatório realizar este estudo antes de instaurar a terapia correspondente.
Caso o paciente necessite de um tratamento com vários fármacos ao mesmo tempo, pode realizar-se um estudo da compatibilidade de medicamentos para conhecer as interações entre estes fármacos no seu corpo. Isto permitir-lhe-á escolher a combinação mais apropriada.
Além disso, ao ser personalizado dependendo da genética do paciente e do seu estado de saúde, o tempo de recuperação diminuirá drasticamente, aumentando assim a relação custo-eficácia dos tratamentos, otimizando os recursos sanitários disponíveis e limitando problemas derivados de tratamentos ineficazes, como por exemplo a resistência a antibióticos.
Mas o que se analisa num estudo farmacogenético?
No ADN existem variações na sequência genética. Os denominados polimorfismos aparecem em pelo menos 1% da população e promovem a diversidade populacional normal. Estas variações podem modificar a expressão e a função de enzimas, transportadores ou alvos terapêuticos envolvidos na farmacodinâmica e na farmacocinética.
Por exemplo, variações nos genes que atuam na metabolização de medicamentos no fígado podem alterar a eficácia e/ou a segurança dos mesmos, ou polimorfismos em genes que codificam transportadores na barreira hematoencefálica podem determinar a sua atividade sobre o sistema nervoso central. As diferentes reações aos fármacos nos indivíduos devem-se, em grande medida, às suas diferenças genéticas.
Um teste farmacogenético, como referido anteriormente, implica a análise de marcadores genéticos que determinam o comportamento do fármaco através do organismo, que serão avaliados pela farmacocinética, e por outro lado de polimorfismos que modulam a resposta do organismo ao fármaco, dos quais se ocupa a farmacodinâmica.
O aspeto mais amplamente estudado no âmbito da farmacocinética consiste no metabolismo dos fármacos.
O conjunto de polimorfismos em cada indivíduo definirá a sua capacidade de transformação dos fármacos, e tanto o aumento como a diminuição da sua capacidade metabólica poderiam atuar em benefício ou contra o sucesso da terapia. Assim, os tipos de metabolização mais comuns são:
- Metabolizador Normal ou Extensivo (EM): não apresentam variações na velocidade de metabolismo, nem na eficácia terapêutica nem na toxicidade em relação à previamente estabelecida.
- Metabolizador Pobre (PM): implica uma menor degradação do fármaco e, com isso, mais tempo no organismo e maior probabilidade de efeitos adversos, mas também um efeito terapêutico prolongado. Além disso, para fármacos que necessitam de uma primeira etapa de ativação, um metabolismo pobre suporia uma menor quantidade de fármaco ativo disponível ou um efeito terapêutico mais tardio.
- Metabolizador Intermédio (IM): as consequências são semelhantes às do metabolismo pobre, mas em menor grau. Apresentaria um risco ligeiramente aumentado de desenvolver reações adversas e implicaria uma eficácia menor do que a estabelecida para esse fármaco.
- Metabolizador Ultrarrápido (UM): maior degradação do fármaco, reduzindo o tempo de permanência no organismo, pelo que tanto os efeitos adversos como a efetividade serão diminuídos. Para fármacos que requerem uma ativação prévia, o efeito terapêutico provavelmente será observado de forma mais precoce.
A farmacodinâmica estuda a relação entre o fármaco que chega ao local de destino e os efeitos desencadeados. Os principais alvos terapêuticos costumam ser recetores, canais iónicos ou enzimas. Adicionalmente, pode ser afetada por alterações fisiológicas, condições de saúde ou administração de outros fármacos ou alimentos.
Em função dos resultados de cada análise genética, o procedimento a seguir pelo médico consistirá na utilização das doses padrão estabelecidas, diminuir ou aumentar as doses conforme as necessidades, ou utilizar outros tratamentos alternativos.
Esta informação baseia-se em estudos realizados pela FDA (Food and Drugs Administration), a EMA (European Medicines Agency) e outras prestigiadas instituições de farmacogenética, como o CPIC (Clinical Pharmacogenetics Implementation Consortium) ou o DPWG (Dutch Pharmacogenetics Working Group).
É importante destacar que os resultados apresentados nos relatórios da tellmeGen são recomendações. Em caso algum o paciente deve alterar o seu tratamento farmacológico sem a revisão e aprovação do seu médico.
Quero o meu estudo farmacogenético, o que devo fazer?
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Aqui tens um exemplo dos resultados que são fornecidos com o teste de ADN na tellmeGen.

Fontes:
https://www.cancer.gov/espanol/publicaciones/diccionarios/diccionario-cancer/def/farmacogenetica
https://www.actasdermo.org/es-farmacogenetica-i-concepto-historia-objetivos-articulo-13095244
https://www.elsevier.es/es-revista-offarm-4-articulo-farmacogenetica-medicina-carta-13039718
