Nos últimos anos, os avanços no campo da genética estão a revolucionar os nossos conhecimentos sobre muitos aspetos da medicina.
O desenvolvimento de potentes técnicas computacionais e as melhorias nos procedimentos laboratoriais permitiram obter nova e importante informação sobre a origem e o comportamento das doenças complexas mais frequentes, como a doença de Alzheimer, la doença de Parkinson, a diabetes e diversos tipos de cancro, entre outras. Toda esta informação sobre a saúde pode estar acessível através dos testes de ADN.
As doenças complexas são de origem multifatorial e no seu desenvolvimento influenciam tanto fatores genéticos como ambientais. Por isso, conhecer a nossa predisposição genética para uma determinada doença pode ajudar-nos a modificar os nossos hábitos e a adaptar o nosso estilo de vida em função da nossa genética.
Mas, como começa tudo isto?
Processamento da amostra
O utilizador recebe o kit de teste de ADN, e em seguida recolhe a amostra depositando a saliva no tubo correspondente. Esta é enviada para o laboratório onde será analisada.
A amostra de saliva chega ao laboratório, que cumpre as rigorosas normas ISO 90001:2015 da União Europeia. Uma vez lá, procede-se à extração do ADN, à sua quantificação, amplificação com técnicas de PCR e, finalmente, à genotipagem.
Neste último passo utiliza-se a tecnologia Illumina® iScan e a versão mais atualizada do chip de genotipagem Infinium Global Screening Array (GSA), que consiste em cerca de 650.000 marcadores genéticos distribuídos por todo o genoma, aos quais foram adicionados mais cerca de 100.000 marcadores de forma personalizada. A fiabilidade desta tecnologia é superior a 99% e contém marcadores internos que são utilizados como controlo de qualidade.
Análise de resultados
Uma vez que a amostra foi genotipada, os resultados em bruto são transferidos para a nossa base de dados e são analisados pela nossa equipa de bioinformáticos e geneticistas. A interpretação dos resultados é realizada combinando a informação genética científica mais recente publicada e a potência computacional, incluindo o Big Data. Graças a diversas atualizações e ao desenvolvimento e colocação em funcionamento da genética preditiva através da técnica de imputação, conseguimos aumentar o número de variantes genéticas analisáveis de cerca de 750.000 para dezenas de milhões, permitindo realizar estudos muito mais completos.
Big Data e genética
A predisposição genética é determinada pela presença de certas variantes no genoma, que podem ser estudadas por potentes tecnologias computacionais e bioinformáticas através de estudos genéticos de Big Data.
Os estudos de associação de todo o genoma (GWAS), que se desenvolveram significativamente nos últimos anos, estão a permitir conhecer cada vez melhor a relação entre a genética e o desenvolvimento de múltiplas doenças complexas, e podem ser utilizados para determinar o risco genético de as padecer. Nestes estudos, comparam-se milhares de indivíduos diagnosticados com uma determinada doença (casos) com milhares de indivíduos que não a padecem (controlos), o que permite identificar variantes genéticas de risco (as que se encontram com maior frequência no grupo de casos) e variantes genéticas protetoras (as que são mais frequentes no grupo de controlos).
Nos últimos anos, graças às melhorias nas tecnologias de sequenciação do genoma completo, foram criados painéis populacionais de referência. Trata-se de grandes bases de dados que contêm a informação genética completa de centenas de milhares de indivíduos.
Com toda esta informação, analisamos a presença ou ausência destas variantes de risco ou protetoras, e através de uma análise bioinformática baseada numa pontuação de risco poligénico, estimamos um valor de risco ou probabilidade genética de sofrer de uma doença ou traço.
A aplicação desta potente e inovadora metodologia permitiu remodelar a estimativa do risco genético de doenças complexas, proporcionando resultados muito mais precisos e atualizados à medida que se publicam novas descobertas em tecnologia e investigação genética.
Em resumo, conhecer o risco genético de uma determinada doença através do método de imputação e dos últimos estudos GWAS pode ajudar-nos a tomar decisões e a modificar os nossos hábitos e estilo de vida, o que pode ser uma importante herramienta preventiva para muitas doenças complexas amplamente conhecidas.
