Ficar sem articulações: artrite reumatoide

Estima-se que 50-60% do risco de apresentar artrite reumatoide seja de origem genética.

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Quedarte sin articulaciones: artritis reumatoide

A artrite reumatoide é uma doença inflamatória sistémica autoimune que afeta de forma simétrica múltiplas articulações e apresenta diversos sintomas gerais inespecíficos e manifestações extra-articulares.

O sintoma característico é a inflamação persistente. Com o tempo vai destruindo as articulações, causando deformidade e incapacidade funcional. A inflamação, além disso, causa rigidez e dor constante.

Esta doença pode afetar todo o corpo, mas tem uma predileção especial pelas articulações periféricas (mãos, pés, pulsos, ombros, cotovelos, ancas e joelhos). Dentro destas, as suas favoritas são as articulações nas mãos e pés. Periféricas e pequenas.

Como mencionámos antes, é simétrica. Ocorre nos dois lados do corpo e costuma manifestar-se de forma semelhante em ambas, avançando ao mesmo ritmo.

Não é uma doença hereditária, embora seja daquelas doenças não hereditárias em que tens de acrescentar um “mas”. Deve-se tanto a fatores genéticos como a fatores ambientais, já que existe predisposição genética. No entanto, as causas específicas que provocam o início da doença são desconhecidas. Seja o que for, provoca que o sistema imunitário ataque as articulações.

O dano produz-se principalmente na membrana sinovial, uma membrana que se encontra nas articulações sinoviais (aquelas separadas por uma cavidade). A membrana protege a cartilagem do desgaste e produz o líquido sinovial (sinovial é a palavra do dia), que atua como lubrificante. Mas a doença também não é demasiado seletiva, causando danos adicionais na cartilagem e no osso da zona.

É uma patologia evidente e pouco dissimulada, pelo que costuma diagnosticar-se cedo pelos sintomas. Para confirmar podem-se realizar radiografias e análises laboratoriais.

Existe ainda o teste do fator reumatoide, uma análise ao sangue que procura autoanticorpos concretos que se encontram na maioria das pessoas com artrite.

Os sintomas iniciais são inflamação (zero surpresas aqui), rigidez, sensibilidade, inchaço e vermelhidão, de forma simétrica. Com o tempo os sintomas pioram e surgem noutras articulações.

Consideram-se 4 fases da doença, cada uma conservando e piorando os traços da anterior:

  1. Primeira fase, inflamação à volta e dentro da articulação.
  2. Começa o dano e a erosão da cartilagem, com uma diminuição da capacidade de movimento da zona. A inflamação é mais evidente.
  3. Chegamos ao dano no osso e aparecem deformidades visíveis.
  4. Na fase final diminui a inflamação, mas também a articulação. Os ossos fundem-se, a cartilagem está destruída e a articulação continua a doer, com mobilidade mínima.

Acredita-se que 40% das pessoas afetadas sofrem outros sintomas, além dos problemas nas articulações, como problemas nos pulmões, coração ou olhos, devido a inflamações, ou síndrome do túnel cárpico.

Estes sintomas não são constantes e estáveis, havendo períodos de remissão e outros em que são especialmente duros.

Causa desconhecida, riscos conhecidos

Como começa é um segredo. Há até uma teoria que liga a artrite à periodontite, onde também há inflamação, desta vez com causas conhecidas. Suspeita-se que algum dos organismos patogénicos que participam na periodontite, concretamente a bactéria Porphyromonas gingivalis, poderia penetrar no corpo e até alcançar as articulações, onde cause a reação autoimunitária.

Adicionalmente, a genética do indivíduo, embora não provoque a doença por si mesma, decide sim a predisposição da pessoa a sofrê-la.

Concretamente, estima-se que 40-65% do risco de apresentar artrite reumatoide seja de origem genética.

Diferentes genes estão envolvidos no aparecimento de artrite reumatoide, pelo que é considerada como uma doença poligénica. No caso de uma pessoa ter um histórico familiar de artrite reumatoide, chave para discernir se uma doença tem componente genética, considera-se que tem 3 a 5 vezes mais risco de sofrer da patologia do que uma pessoa normal.

Tal como noutras doenças autoimunes, como a esclerose múltipla, há muitos genes envolvidos que pertencem ao complexo principal de histocompatibilidade. O maior responsável é o HLA-DR4.

A componente genética não participa apenas na predisposição para sofrer da doença, mas também é relevante na gravidade da doença.

Não obstante, existem outros fatores de risco que não são genéticos. Viu-se que um dos fatores ambientais que mais contribuem para o aparecimento da artrite reumatoide é o tabagismo. E encontra-se associado tanto ao aparecimento da doença como à sua gravidade. Nunca nada de bom vem do tabaco.

Mas também podem contribuir algumas infeções, as hormonas femininas, o stress, a obesidade, a idade e o tipo de alimentação.

Falando de hormonas femininas, como costuma acontecer com as doenças autoimunes, é mais frequente em mulheres do que em homens, ocorrendo 70% dos casos em mulheres, a maioria mulheres com mais de 55 anos.

Artrite na sociedade de hoje

Em 2019 calculava-se que havia 18 milhões de pessoas no mundo a viver com a doença. Tem uma maior prevalência em países industrializados, possivelmente pela maior longevidade e pelos fatores ambientais.

Curiosamente, nos últimos anos a doença tem vindo a aumentar em incidência, mas a sua severidade, a deterioração da vida do doente e a mortalidade têm vindo a diminuir.

Apesar de não haver uma cura para esta doença, existem diversos tratamentos farmacológicos que permitem melhorar os sintomas e atrasar o progresso da doença.

O seu objetivo é reduzir a inflamação, aliviar a dor e, em termos gerais, permitir uma melhor qualidade de vida da pessoa e maior funcionalidade. Existe inclusive uma categoria de medicamentos chamados “Fármacos antirreumáticos modificadores da doença”, focados em modificar o sistema imunitário em geral, e a inflamação em particular.

Estes tratamentos não são apenas farmacológicos, mas existem também diferentes dispositivos mecânicos focados em ajudar, aparelhos ortopédicos. Algumas vezes realizam-se até operações cirúrgicas de reparação ou substituição de articulações.

Finalmente, outro tratamento é o próprio estilo de vida do afetado. O primeiro passo, deixar de fumar, e manter um peso correto para uma pessoa na sua condição. Recomenda-se que incrementem a atividade física na medida do possível, e há programas gratuitos onde explicam que exercícios são melhores perante esta patologia. Nós podemos explicar-te algumas coisas também, como a tua predisposição, com a nossa análise genética Advanced.