A ELA é uma doença hereditária?

A hereditariedade da ELA situa-se em torno de 40-45%, o que significa que influenciam tanto fatores genéticos como ambientais.

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¿La ELA es una enfermedad hereditaria?

Colocámos as siglas porque o nome ficava-nos demasiado comprido para o título. O seu nome real é esclerose lateral amiotrófica (ELA). Também é conhecida como doença de Lou Gehrig, por ser este jogador de basebol o primeiro a quem foi diagnosticada; ou doença de Charcot, primeiro médico a descrevê-la, mas com ambos o nome ficava-nos demasiado comprido de novo. Embora o doente mais famoso desta patologia possivelmente seja o físico Stephen Hawking.

Como podemos ver nos pacientes mencionados, trata-se de uma doença neurodegenerativa progressiva que afeta as células nervosas do cérebro. Concretamente, as células nervosas afetadas são os neurónios motores do córtex cerebral (neurónios motores superiores), tronco cerebral e medula espinhal (neurónios motores inferiores).

A falta de motoneurónios acarreta uma paralisia muscular que vai avançando até chegar à morte, sem que sejam afetadas as funções cognitivas nem sensitivas. Essas pessoas são prisioneiras de uma gaiola de carne cada vez mais rígida, sem o poderem evitar. Não há cura, e todos os tratamentos estão centrados em combater os sintomas.

As funções sexuais e excretoras também não são afetadas, embora possa provocar alterações emocionais repentinas. Dentro do horror que é, não é uma doença dolorosa, o paciente não sente dor nas zonas afetadas nem pelo agravamento dos sintomas.

A causa de morte final costuma ser por insuficiência respiratória, já que ocorre uma atrofia dos músculos da área torácica que participam no processo respiratório. É considerada a doença mais grave, e receio que a mais comum, das que afetam os neurónios motores.

É uma doença relacionada com a idade, com a maior idade de risco entre os 60 e 70 anos, com predominância nos homens, sendo dois em cada três afetados. Não é que sejam duas características demasiado limitantes na população atual, o que explica que haja em média um caso por cada 50.000 habitantes.

ELA, uma patologia envolta em mistério

É uma doença que, apesar dos anos que leva em estudo, se encontra rodeada de muitas interrogações. Acredita-se que, em geral, o desencadeador é um defeito na proteína ubiquilina 2, que participa nos processos de degradação e eliminação de outras proteínas.

Durante o processo, as células sofrem uma série de danos, desde stresse oxidativo a alterações no citoesqueleto (e quando a maior parte do teu corpo são axónios e dendrites dependentes do citoesqueleto, isto são palavras maiores).

Além disso, temos dano excitotóxico. Ocorre por uma sobreativação dos recetores do glutamato, que ocasionam uma entrada massiva de cálcio dentro da célula. O cálcio acarreta por sua vez uma resposta enzimática e libertação de proteínas do interior das mitocôndrias, que acaba por danificar as estruturas celulares e, finalmente, em morte celular ou apoptose. A excitotoxicidade encontra-se presente noutras doenças do sistema nervoso, como são a doença de Alzheimer ou o Parkinson.

Há neuroinflamação, aliás. Em muitas doenças neurodegenerativas, o sistema imunitário entra no cérebro para ver o que se está a passar, temos inflamação e tudo piora.

Isto explica a razão de ser uma patologia centrada em motoneurónios? Não. É outra das grandes incógnitas. Muitos especialistas suspeitam que deve haver uma característica comum entre os neurónios motores, ausente nas outras populações de células nervosas, que os torna vulneráveis à doença.

Quanto mais ela se move, menos te moves tu

O diagnóstico é clínico. Pelos sintomas suspeita-se de ELA e realizam-se exames posteriores para descartar outras doenças semelhantes. Isto faz com que, desde a suspeita da doença até à confirmação completa, possam passar meses.

Entre os primeiros sintomas podemos destacar os espasmos musculares, cãibras, rigidez ou fraqueza, durante as primeiras fases da doença. As pessoas que os rodeiam podem perceber nos afetados problemas de fala, um cansaço nas extremidades e falta de jeito.

À medida que a doença progride e se atingem as fases intermédias, a doença costuma cursar com piores distúrbios da fala, assim como disfagia ou dificuldade em engolir, perda progressiva do movimento e fraqueza, até ao ponto de requerer cadeira de rodas para se poder deslocar.

O seu avanço não é constante, sendo diferente entre pessoas e até entre regiões do organismo. Por vezes pode haver fases de estabilidade nas quais se mantém sem piorar durante um período de tempo.

Dado que não há tratamento, os esforços concentram-se nos sintomas e em interrompê-la o máximo possível. Travar a deterioração.

Alguns dos fármacos usados, por exemplo, travam a libertação do glutamato que mencionámos antes como causador de excitotoxicidade. Outros medicamentos usados são antioxidantes ou o uso de células estaminais.

Em adição aos tratamentos farmacológicos, colaboram especialistas como fisioterapeutas ou terapeutas da fala que tentam ajudar os afetados a manter a independência funcional. Por isso é uma doença com um tratamento multidisciplinar.

Certo, mas a ELA é hereditária ou não?

Já lá vamos, paciência. Para falar se é uma doença genética ou não, vamos à sua classificação.

  • ELA esporádica. O nome indica-nos que se trata de um aparecimento aleatório. Não há fatores de risco nem forma de prever o seu aparecimento, e é a mais frequente. Isto não exclui que haja fatores genéticos envolvidos, apenas que se desconhece quais.
  • ELA familiar. São 5-10% dos casos. Considera-se que ocorre por uma variante autossómica dominante, pelo que se pode transmitir dentro da família, e tem uma idade de aparecimento em média mais precoce do que a esporádica.

Em geral, não se considera que a esclerose lateral amiotrófica seja uma doença hereditária. No entanto, a presença da doença na família é tida em conta como fator de risco e inclui-se nas histórias clínicas. É um “não quer dizer nada maaaas vamos apontar por precaução”.

Quatro genes foram encontrados alterados em quase metade das ELA familiares, e até 5% dos casos esporádicos: C9orf72, SOD1, FUS e TARDBP.

Considera-se que nas formas de ELA que ocorrem de forma precoce a genética tem um maior peso. Na ELA juvenil, que ocorre antes dos 25 anos, é habitual encontrar mutações nos genes FUS, ALS2 e SETX. Outra correlação genética que se encontrou na doença é entre mutações dos genes FUS e SOD1, e uma evolução negativa da patologia.

Claro, existem outros fatores de risco e causas. Desde a exposição a substâncias tóxicas, como alguns pesticidas agrícolas, a infeções, desde víricas a fúngicas. Acredita-se que nalguns pacientes os condicionantes genéticos podem iniciar a doença de forma assintomática, em idades precoces, e as características ambientais irem contribuindo posteriormente para a sua gravidade até que se torne visível.

Mas é uma doença idiopática, ou seja, de causa desconhecida e origem espontânea. Dito de forma direta, que não fazemos ideia de por que acontece de repente.

As doenças idiopáticas são preocupantes, e ainda mais quando são complexas. Se algo te paralisar, que não seja o medo, e experimenta prever esta e outras patologias com a análise genética Advanced da tellmeGen.