Considera-se que existem sete cores primárias, centrais, e todas as outras são uma combinação ou derivação delas.
Estas sete cores são: vermelho, laranja, amarelo, verde, azul, índigo e violeta. As cores do arco-íris, como nos ensinam quando somos pequenos.
Estimando todas as possibilidades, os cientistas dizem que existiriam DEZILHÕES de cores diferentes.
No entanto, o olho humano percebe, no máximo, até 10 milhões de tons distintos. O que, sejamos sinceros, não é nada mau.
Com todos estes dados, é normal que haja também uma imensa variedade de cores no cabelo e nos olhos das pessoas.
As quatro cores do cabelo e as suas causas
É aceite que o cabelo tem quatro cores naturais básicas:
- Preto. Alta concentração de eumelanina.
- Castanho. Depende do tom, mas a concentração de eumelanina é superior à de feomelanina.
- Loiro. Mais uma vez, depende do tom, mas nesta cor a concentração de eumelanina é inferior à de feomelanina.
- Ruivo. Alta concentração de feomelanina.
Existem escalas que entram em maior detalhe para a classificação.
A escala Fischer–Saller, por exemplo, estabelece 8 cores primárias de cabelo humano, que seriam: preto / castanho escuro, castanho médio / claro, loiro escuro, médio, claro e muito claro (ou platina), loiro avermelhado e ruivo.
A maioria das escalas exclui uma cor de cabelo, ou melhor, a ausência de cor: os cabelos brancos. A cor branca do cabelo sem pigmento.
Isto acontece porque estas variações provêm unicamente de dois pigmentos: eumelanina e feomelanina. Ambos são considerados dois tipos de melanina.
- A eumelanina forma-se pela oxidação da tirosina na melanina, seguido de uma polimerização que dá lugar a derivados do di-hidroxi-indol, que chamaremos DHI e DHICA. Não somos um blogue de química, não é preciso entrar em detalhes.
- A feomelanina é semelhante mas, em vez de di-hidroxi-indol, tem compostos com o aminoácido cisteína. Este aminoácido tem uma particularidade que a feomelanina também possui ao incorporá-lo: a presença de enxofre na sua fórmula.
As razões genéticas da cor do cabelo
A cor do cabelo é genética. É uma característica poligénica. Diferentes genes participam, dando o seu contributo para o resultado final.
Por isso, a cor e a claridade do cabelo são muito hereditárias. Estima-se que a hereditariedade da cor do cabelo nos filhos esteja entre 61% e 99%.
Mas as cores não têm a mesma força. Os tons de cabelo escuros são traços dominantes, face aos tons claros, que são recessivos.
Por isso, uma família de cabelo preto pode ter um filho loiro. Os genes para o cabelo loiro estavam em ambos os progenitores, mas os responsáveis pelos tons pretos estavam a “tapá-los”.
Com tantos fatores, a análise genética da tellmeGen dá-te uma probabilidade muito acertada do teu tom de cabelo, mas é impossível assegurá-lo por completo.
A cor loira associa-se atualmente a 200 variantes genéticas diferentes.
É provável que o gene mais estudado em relação à cor do cabelo seja o gene MCR1. Este gene codifica a informação do recetor de melanocortina 1, e encontra-se em zonas como a pele ou os olhos.
Quando o recetor está ativado, a via de sinais desencadeada leva à produção de eumelanina. Se estiver desligado ou bloqueado, os melanócitos produzem, em sua substituição, feomelanina.
As diferentes formas deste gene foram relacionadas com a probabilidade de ser ruivo, embora para ser ruivo sejam necessários alelos que são recessivos. Também está envolvido em patologias como os melanomas, incluindo o melanoma maligno cutâneo.
O momento de começar a ter cabelos brancos parece depender também da genética. Esse processo é conhecido como acromotriquia ou canície. O gene mais estudado sobre este tema é o gene IRF4. Existem variantes associadas a um menor armazenamento de melanina e, portanto, maior perda de cor.
De um ponto de vista prático, o cabelo preto é melhor para o sol. A eumelanina dissipa mais de 99,9% da radiação UV absorvida. A feomelanina absorve menos e reflete mais, por isso é vista com tons loiros e ruivos.
Um detalhe: ambos os tipos de melanina são pigmentos, não proteínas. Os pigmentos são qualquer substância cuja função seja absorver e dispersar comprimentos de onda de luz específicos. Dado que isso afeta a perceção da cor, podemos concluir que a sua função é a de coloração.
As seis cores de olhos e os seus mitos
A cor dos olhos é outro traço poligénico. A cor dos olhos é definida pela genética e, portanto, é também hereditária.
A claridade dos olhos depende da quantidade de melanina que contêm na íris, incluindo a sua densidade e distribuição. Nesse sentido, são semelhantes ao cabelo.
Aceita-se que existem seis cores principais: castanho, avelã, azul, verde, cinzento e âmbar.
Quanto mais melanina, mais escuro é o olho (castanho); quanto menos quantidade, mais claro (azul). A cor verde seria um intermédio. Salvo exceções, muitas devidas a patologias, todas as cores de olhos encontram-se num tom entre o castanho e o azul.
Nos estudos de genealogia e hereditariedade, é frequente aproveitar estes traços para as representações. A cor castanha é um traço dominante e a azul recessivo.
Mais uma vez, ao haver cores dominantes e outras recessivas, acontece o mesmo que no cabelo. Dois progenitores de olhos castanhos podem ter um filho de olhos verdes e outro de olhos azuis.
Inclusive dois pais de olhos azuis são capazes de ter um filho de olhos castanhos. Não, não é que tenha herdado os olhos do avô. Pode dever-se a variantes recessivas atípicas para a cor castanha, escondidas nos pais, ou mutações que ocorrem nos gâmetas (células sexuais) e/ou durante a gestação.
A cor dos olhos não salta gerações seguindo algum costume ancestral. Os genes são muito sérios no seu trabalho.
A realidade é, como quase sempre, muito complexa. Adivinhar com absoluta certeza a cor de olhos que um bebé terá é impossível.
O ADN que decide a cor dos teus olhos
Foram descobertos mais de 150 genes que influenciam a cor dos olhos. Embora a contribuição de cada um esteja muito longe de ser a mesma. Imaginem a incrível variedade de pigmentação na íris que daí resulta.
A cor dos olhos é hereditária, mas herdam-se muitos fatores genéticos que contribuem para isso.
Os principais genes envolvidos na hereditariedade da cor dos olhos são:
- EYCL1. Determina a cor verde e azul nas pessoas.
- EYCL2. É o principal responsável pela cor castanha.
- EYCL3. Determina a quantidade de melanina que o organismo produz.
Dentro da genética dos olhos azuis, um gene foi amplamente estudado, o OCA2. Este gene dá origem a uma proteína que participa na síntese de melanina, e foi relacionado com diferentes tipos de albinismo, como o albinismo oculocutâneo.
Outro gene habitual nas investigações é o gene HERC2. Curiosamente, entre as suas funções tem a capacidade de ativar ou desativar o gene OCA2, afetando assim a cor dos olhos. Alguns especialistas consideram que a sua importância é ainda maior do que a do próprio OCA2.
Como veem (jogo de palavras intencional) é um tema complexo e amplo. Aqui falta-nos espaço.
A análise genética da tellmeGen faz-te uma aproximação da cor dos teus olhos em função das tuas variantes genéticas e da influência que exercem para serem mais ou menos claros.
Por exemplo, uma pessoa pela sua genética pode ter uma claridade média de olhos. A quantidade de variantes, e a sua importância, para tons claros e escuros seria muito semelhante entre ambos. O mais provável é que tenha então os olhos de cor castanho-claro ou verdes.
